+++GRANDE ANGULAR Ano I, número 3 Abril-Junho 2004 ++SUMÁRIO Ficha Técnica. EDITORIAL: A união, parte I. DESTAQUE: Cooperação ao serviço da participação. TRIBUNA: Uma flor amarela... e dezenas de mãos unidas em um elo de força e ternura. NÓS POR CÁ: Notícias GESTA-MP. OLHAR PELA JANELA: Rei Carlos, o primeiro e único. BREVES. AGENDA. ++Ficha Técnica Redacção e Administração Urb. Horta do Maia, lt 46-3º C 2050-269 Azambuja Portugal Telem.: 91 910 07 55 E-mail: grandeangular@gesta.org Website: http://www.gesta.org Redacção: Rodrigo Santos e Teresa Nunes Teles Colaboradores desta Edição: Joana Belarmino e José Duarte Revisão ortográfica: Maria Godinho Direcção de Comunicação: Helena Fonseca Produção Áudio: Rodrigo Santos Produção para Suportes Digitais e Internet: Jorge Fernandes Propriedade: GESTA-MP | Grupo de Estudos Sociais, Tiflológicos e Associativos – Movimento Progressista. ++EDITORIAL A UNIÃO, PARTE I Rodrigo Santos Poderá parecer, para muitos, um abuso dos chavões propor-me falar, neste editorial de “Grande Angular”, apenas da união. Ainda maior será talvez o atrevimento se me propuser amadurecer as reflexões que aqui teço, e trazê-las novamente à coacção em próximos números da revista. No entanto, espero que me seja desculpado o atrevimento do tema e da missão propostos, e desejo ainda que fique clara a minha intenção de não me cingir a um simples abuso de um tema recorrente nos dias de hoje. Sim, é verdade, o tema tem sido ao longo dos últimos anos, e não só, usado de forma insistente por individualidades de todos os campos, das artes à política, passando pelas ciências e tecnologias. Mas de facto, no tempo que atravessamos, a união parece-me a palavra-chave que devemos ter sempre em mente. Como encetar, hoje em dia, um novo projecto ou etapa, sem a união de vontades, na definição de objectivos comuns, ou sem a união de esforços, para a prossecução dos mesmos? Como reunir em nós próprios as forças necessárias a um recomeço? Aliás, esta união, e a sua necessidade, estão de resto patentes no vocábulo reunião, que define por si só o restabelecer de uma união. Reunir forças é pois repor ao nosso serviço todos esses esforços que, ao longo de uma etapa da vida, dispersámos, e que agora urge que voltem a cooperar mutuamente. Por exemplo, aqui na redacção de Grande Angular, já fizemos (e continuamos a fazer) algumas reuniões, porque temos um desafio importante entre mãos – tornar cada vez mais célere a publicação deste periódico trimestral, e aumentar a sua qualidade. É sem disfarçado orgulho que podemos afirmar que, tanto ao nível qualitativo quanto ao nível da periodicidade, algumas melhorias têm sido conseguidas, apesar do imenso que ainda há por fazer. Prova pois de que a união dos nossos esforços, depois de unidas as vontades, produz e, estamos certos, continuará a produzir frutos visíveis. Saibamos todos nós aproveitar o descanso que o Verão nos proporcionou para reunir, depois de retemperadas, as forças de cada um, para que, a todos os títulos, possamos continuar a nossa caminhada, e estou certo de que, individualmente e/ou em grupo, nunca nos faltarão os sãos frutos dessa unidade de esforços, vontades, entendimentos, ideias e até mesmo pessoas, para a definição, prossecução e alcance dos nossos objectivos, sejam eles fáceis ou aparentemente inatingíveis, pessoais ou colectivos. [Fim do artigo | ++DESTAQUE COOPERAÇÃO AO SERVIÇO DA PARTICIPAÇÃO Rodrigo Santos e Teresa Nunes Teles No Destaque deste seu terceiro número, Grande Angular aborda, de modo cruzado, dois temas de crescente pertinência na actualidade: a cooperação internacional no domínio da tiflologia, e a participação dos jovens (deficientes visuais) nos processos de tomada de decisão. O núcleo essencial da matéria exposta é constituído pelas ideias explanadas por Elena Salaberria Sanzberro (dirigente da Unidad Progresista e membro do Conselho Geral da ONCE), em entrevista que nos concedeu, aquando da sua participação, como prelectora, em 15 de Maio último, em Lisboa, numa acção de Formação Associativa destinada a jovens quadros do GESTA-MP. Para se vislumbrar a importância do primeiro dos temas mencionados, atente-se no facto de que o mundo é hoje muito mais interdependente do que era há um século, as mudanças operadas não estão confinadas a nenhuma zona do globo, e é cada vez mais significativo o número de problemas que já não podem ser solucionados por intervenções de nível meramente nacional. Como afirma Manuel Castells (sociólogo espanhol e grande especialista das relações entre tecnologia e sociedade), este sistema global emergente vai adquirindo uma estrutura de rede, a qual conecta tudo o que vale e desconecta tudo o que não vale ou se desvaloriza: pessoas, empresas, territórios e organizações. A multilateralização das acções e a cooperação nas políticas constituem precisamente respostas indispensáveis, tendo em vista impedir essa desconexão e travar tal desvalorização. Quanto ao segundo aspecto igualmente referido, tenha-se em linha de conta o progressivo mas contínuo fortalecimento da Sociedade Civil e das suas iniciativas cidadãs, no novo arranjo institucional que parece ir-se delineando à medida que as fórmulas democráticas "tradicionais" entram aparentemente em crise. Para a concretização deste processo, a que Anthony Giddens chama, sugestivamente, "democratizar a democracia", as sociedades ocidentais têm, cada vez mais, vindo a considerar como fundamental e decisivo o papel da juventude. Todavia, numerosos estudos têm concluído que os jovens são hoje crescentemente marginalizados como produtores e integrados como consumidores, fenómeno que acarreta o reforço da sua subordinação social pelo óbvio retardamento da respectiva emancipação. Um tal paradoxo não pode deixar de colocar às organizações juvenis de hoje desafios particulares. Três anos volvidos sobre a fundação do GESTA-MP, o movimento português, em parceria com o seu congénere espanhol (Unidad Progresista - UP), entendeu por bem promover a reflexão sobre estas questões, correspondendo deste modo à tentativa de promover o aumento da participação dos jovens no seio do movimento associativo de deficientes visuais, anunciada como uma das tarefas prioritárias da União Mundial de Cegos, quer pelo seu Secretário-Geral, Enrique Sanz, quer pelo Presidente do Comité de Juventude da organização, Mohammed Lotfy. Esta é igualmente uma preocupação da União Europeia de Cegos (UEC), que o seu anterior Presidente, o britânico John Wall, bem expressou, ao afirmar, no final do seu mandato: "O futuro da UEC está nos jovens". ** "O dia constrói-se, não se espera". A frase é de António Gedeão, mas bem poderia pertencer a Elena Salaberria Sanzberro, Secretária-Geral de Juventudes de Unidad Progresista (JUP), que fez dessa ideia a principal mensagem por si transmitida aos jovens portugueses que em Lisboa assistiram, em Maio último, à palestra que teve oportunidade de proferir no decurso de uma acção de Formação Associativa destinada a jovens quadros do GESTA-MP. Natural do Euzkadi (País Basco), licenciada em Direito e falando fluentemente quatro línguas, Elena Salaberria, que a tudo isto alia uma simpatia natural e transbordante, afirma-se presentemente como um dos mais jovens e brilhantes valores do movimento associativo de cegos em Espanha. Secretária-Geral de Juventudes de Unidad Progresista (JUP) desde o último congresso da secção juvenil da UP, é, simultaneamente, o mais jovem membro do Consejo General da Organización Nacional de Ciegos Españoles (ONCE), o órgão máximo daquela organização. Pôr Mãos à Obra Ao intervir, em Lisboa, numa acção de formação de jovens quadros do GESTA-MP, levada a cabo, em 15 e 16 de Maio, no âmbito da colaboração regular entre o GESTA e a UP, agrupamento que governa a ONCE há quase duas décadas, a dirigente espanhola pôs em destaque, na sua comunicação, a importância que atribui à participação dos jovens no movimento associativo de cegos. Em entrevista exclusiva concedida a Grande Angular, esta ideia voltou a ser pedra de toque das suas declarações: "Nós, jovens cegos, somos escassos em número. Assim, ou nos pomos em contacto uns com os outros e nos unimos, nos colocamos questões comuns e reivindicamos coisas que nos afectam directamente, ou, seguramente, podemos bem ficar à espera que chegue algo que nunca vai chegar". Absolutamente convicta da importância do papel que actualmente cabe à juventude na resolução dos problemas dos cegos, Elena evoca a sua própria experiência: "Para mim, essa importância é fundamental, é absolutamente capital. Estou a dedicar ao movimento juvenil, em Espanha, dez anos da minha vida, e isto dá uma ideia do que, para mim, ele significa". E, com coerência e simplicidade, expõe as razões de tal opção: "Acho que é importante que nos unamos e trabalhemos , pondo mãos à obra e indo sempre para a frente, lutando para suprir as nossas necessidades e para construir um futuro melhor". Iguais mas Diferentes Em Espanha, é precisamente a JUP quem melhor assegura, desde há muito, as condições de participação dos jovens cegos no movimento associativo. Foi justamente com a finalidade de fomentar essa participação na vida política da Unidad Progresista e, através deste agrupamento, na vida da ONCE, que a JUP veio a ser criada, como Secção Juvenil da UP. Nessa medida, esta garante-lhe a autonomia funcional necessária para actuar (com respeito pelos estatutos da UP) no domínio dos assuntos especificamente juvenis, disponibilizando-lhe igualmente os instrumentos políticos e os recursos económicos indispensáveis. Recorde-se que a Unidad Progresista, à semelhança do GESTA-MP, que exerce a sua actividade fundamentalmente no âmbito da ACAPO, é um grupo que desenvolve a sua actuação no seio da ONCE, prosseguindo ambos os grupos, como é sabido, objectivos similares. Em Portugal, no entanto, jamais existiram estruturas juvenis formalizadas no âmbito do movimento associativo de cegos, embora, durante os anos 50, se possa documentar uma actividade associativa intensa por parte de muitos jovens deficientes visuais, a qual se veio a repetir, posteriormente, na década de 70. Neste último caso, essa actividade parece enquadrar-se numa vaga de fundo de intervenção juvenil que caracterizou o período. Note-se que, como salientam diversos estudiosos, o 25 de Abril de 1974 se encontra fortemente associado à juventude dos anos 70 (o próprio derrube do regime foi operacionalmente levado a cabo por "jovens capitães"), sendo mesmo esse momento de viragem da política portuguesa considerado, sob certos aspectos, como uma revolução de jovens. Na comunicação que apresentou aos jovens do GESTA-MP, Elena Salaberria não deixou de levar em linha de conta estes factos e, nas suas declarações a Grande Angular, o tema voltaria a ser equacionado, tendo a Secretária-Geral da JUP então afirmado: "Eu diria que não copiem nenhum modelo, porque creio que nenhum modelo, e também o nosso (ou o que eu represento), é perfeito. Eu só acredito (e acredito firmemente) que nós, jovens, temos que trabalhar juntos por uma causa comum". E, na verdade, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido conjuntamente pelo GESTA-MP e pela UP, tem permitido aprofundar a cooperação institucional entre os dois grupos, com respeito pelas respectivas identidades. Diferentes mas Iguais De qualquer modo, ambos os Estados ibéricos dispuseram, durante longo tempo, de condições políticas objectivas largamente adversas à participação. As ditaduras de Franco e Salazar engendraram sistemas políticos dos quais estavam ausentes estruturas participativas, ao mesmo tempo que estimularam uma cultura política de não participação. Para além disso, nas duas ou três últimas décadas, ambos os países viram igualmente este quadro ser reforçado por ideias neoliberais e neoconservadoras que procuram despolitizar determinadas questões supostamente "domésticas" ou "privadas", simples "imperativos de mercado" ou meros "problemas técnicos". As tradições de democracia e de participação livre e voluntária são, portanto, reduzidas, quer em Portugal quer em Espanha, e é natural que, lá como cá, surjam fragilidades, por falta de experiência ou de solidez institucional. Por outro lado, em ambos os países da Península prevaleceram, em pleno século XX, sociedades em que a solidariedade foi deixada por conta da boa-vontade dos indivíduos, das famílias, das igrejas e de outras entidades não estatais, e em ambos o estado-providência e a organização dos grandes serviços públicos (saúde, educação, etc.) surgiram tardiamente. É neste contexto que assumem especial significado as seguintes palavras de Elena Salaberria, especialmente concedidas à Grande Angular: "Temos falta de muitas coisas, a sociedade deve-nos muitas coisas, e temos que reclamá-las, temos que trabalhar por isso; temos que aprender, temos de unir-nos". E, com efeito, ainda hoje, por exemplo a despesa anual com a protecção social, em percentagem do PIB, é, nos dois países, a mais baixa da União Europeia, excluídos alguns dos novos aderentes: pouco mais de 20%, contra os quase 30% dos restantes Estados membros. Paralelamente, como têm assinalado numerosos especialistas, os jovens de hoje organizam-se, em grande medida, em torno dos espaços de lazer, estruturando as suas actividades, em grande parte, à volta dos tempos livres. Este fenómeno não pode deixar de reflectir-se no desempenho das organizações de juventude. Na JUP, como explicou a sua Secretária-Geral na palestra que proferiu em Lisboa, ele não é ignorado, e a dirigente da secção juvenil da UP também não o esqueceu nas palavras que, através de Grande Angular, fez questão de dirigir aos jovens deficientes visuais portugueses. Segundo ela, organizar-se, intervir, defender os seus direitos não implica dispensar os momentos de alegria e de boa disposição: "uma vez, alguém me disse que, tudo isto, havia que fazê-lo com bom humor e um sorriso. Eu também vos digo isso, também vos digo que trabalheis, que luteis, mas com bom humor, e não vos esqueceis do sorriso e de um pouco de farra que, de vez em quando, faz bem". "P'rá Frente!" Um Ideal Alegremente Partilhado Nas declarações que prestou a Grande Angular, Elena Salaberria não escondeu ainda a sua satisfação por participar em mais uma iniciativa concretizada no âmbito da cooperação levada a cabo entre o GESTA e a UP: "Estamos encantados de ter podido vir: primeiro, porque Lisboa é uma das minhas cidades favoritas (é um sítio genial, precioso); e, segundo, porque se está muito bem entre vocês. É como visitar a família, uma grande família, uma família de gente que nos recebe estupendamente". E não deixou mesmo de dar conta do bom relacionamento vivido entre os dois agrupamentos ibéricos: "A verdade é que não sou só eu a dizê-lo: toda a gente que cá vem trabalhar convosco, regressa a Espanha encantada, e todos torcemos para que vocês nos voltem a convidar. Por isso, estamos encantados, fenomenais mesmo, de estar aqui convosco". A concluir, a dirigente da Unidad Progresista expressou um desejo que é, simultaneamente, um reconhecimento do trabalho até agora desenvolvido pelo GESTA-MP, bem como um voto de incentivo para enfrentar os próximos desafios que se colocam ao movimento: "Digo-vos para irdes em frente, para defendermo-nos e para continuar a crescer". Aos jovens deficientes visuais portugueses (e não só aos membros do GESTA-MP presentes na sessão), bem como ao movimento no seu conjunto, queda reservada, pois, a incumbência (considerável mas não menos aliciante) de corresponder ao desafio e não esquecer que, de facto, "O dia constrói-se, não se espera". [Fim do artigo | ++TRIBUNA UMA FLOR AMARELA... E DEZENAS DE MÃOS UNIDAS EM UM ELO DE FORÇA E TERNURA Por Joana Belarmino Os dois pés plantados nas duas metades do mundo. Éramos eu e um bando de outros turistas à espera do espolcar dos flashs, da fotografia emblemática, incapaz de enquadrar a misteriosa nuvem das recordações, dos pensamentos, ao modo de pássaros ao mesmo tempo prisioneiros e livres, no cenário de árvores, montanhas e vulcões. Eu não podia deixar a cidade de Quito sem aquela fotografia. Ali plantada, os olhos a contemplar o sol do meio dia, como que adivinhando as montanhas atrás de mim, salpicadas de brancos de neve antiga, à espera de neve nova, ali plantada, a revisar os dias de Quito. Quinze, dezesseis e dezessete de abril, e uma agenda a cumprir. Dezenove países de américa Latina enviaram representantes para o III Seminário Latinoamericano de Mulheres Cegas. Desfizemos nossa bagagem num hotel simples e acolhedor, "el sies de deciëmbre ", com sua decoração rústica em madeira velha, seus quartos para duas e três e de pronto encontrei-me no meio do torvelinho do falar cubano, caldal de palavras amalgamadas, alegria de um vozear musical que me fez trautear a velha canção revolucionária, "...de cuba traigo un cantar... ". Equador, sede do evento, pôde enviar representantes de quase todas as suas províncias. O grupo todo compunha mais de vinte mulheres, representantes de Timborazo, Cuenca, Guahyakil, e tantos outros pedaços de pátria de nomes tão sugestivos, entrelaçar de sílabas a revelar o lastro linguístico de etnias as mais variadas. Apoiaram o evento, a União Mundial de Cegos, UMC, a DKBw e a Organização Nacional dos Cegos Espanhóis, Once, através da Fundação de apoio às Organizações de América Latina, Foal. A Federação Nacional dos Cegos de Equador, Fence, cuidou do apoio logístico, da recepção local e da elaboração de uma programação cultural. Kicki Nordström, presidente da União Mundial de Cegos estava entre nós e abriu a programação das conferências, para falar acerca das organizações internacionais no campo da tiflologia: UMC, IBSA, ICEVI e IAPB. Para além das conferências, nos dividimos em grupos de configuração do mapa geopolítico de américa Latina, para exercitar em grupos de trabalho, planificação de estratégias de acção, discutir a realidade organizativa das mulheres cegas na América Latina, ressaltar nossos pontos fracos, experimentar nossa força. "...Nostra fuerza está en nuestra unión ". O lema apareceu em quase todas as falas. E porque esteve tão recorrente nos discursos, me fez pensar/sentir, que a América Latina é um grande continente irmanado em muitas contradições, desigualdades, injustiças. Me fez pensar/sentir que América Latina é um grande continente irmanado num coração que pulsa e inventa todos os dias um modo de recomeçar sua luta, "suya lucha", numa espécie de caminho entremeado pela alegria, "la voluntad", a persistência. E ainda é longo o caminho desdobrado sobre nossas mãos, nos dias de quito. Em América Latina, a organização das mulheres cegas ainda é embrionária na maior parte dos países. Cuba tem sua organização nacional de mulheres cegas, multiplicada em núcleos locais que centralizam-se nacionalmente. Entretanto, em países como Argentina, Uruguai, a mobilização das mulheres ainda é frágil. As dimensões continentais do Brasil, a fragilidade de boa parte das suas associações locais, desencorajam a idealização e materialização de um movimento nacional organizado de mulheres cegas. O movimento associativista dos cegos , em parte significativa do continente, ainda se caracteriza pela presença marcante dos homens. Para se ter uma idéia de tal realidade, a nova executiva da ULAC, eleita em seu VI Congresso, compõe-se de quinze homens e cinco representantes do sexo feminino. As mulheres estão presentes nas associações, sobretudo nas cidades de médio e grande porte, mas em geral, não sentem a necessidade de organizar-se em torno de sua condição específica, e tão pouco são estimuladas por seus líderes associativistas. Há no entanto, uma realidade difícil que foi relatada em Quito. Em muitas cidades, as mulheres não têm acesso a qualquer assistência. Perderam sua autoestima e muitas vivem confinadas em realidades familiares preconceituosas e discriminativas. Realidades familiares que emolduram estas mulheres em uma ditadura do "não pode ", a qual perpetua-se em outros espaços da sociedade e da cultura. "Hay quy rebelarse, hay quy romper con esto e salir para la conquista de nuestros derechos de ciudadania ", testemunha Patrícia, representante do Paraguai. Mas a questão do gênero é levada a sério por UMC e ULAC. Desde 1994, as organizações de cegos são estimuladas a enviarem aos eventos internacionais, delegações compostas por mulheres e homens. Foruns e Seminários de Mulheres são sempre eventos que precedem aos congressos internacionais das duas organizações. À espera do flash, os pés plantados entre aquela fascinante linha divisória veio-me à cabeça um instantâneo do primeiro dia de seminário, da solenidade de abertura. Veio-me à lembrança o momento de haver tocado a flor amarela que todas nós recebemos na entrada do salão do evento. Uma flor amarela, húmida do orvalho da manhã de Quito, um caulezinhho vigoroso a exbir ao mesmo tempo ternura e força. E pensei no mundo como uma semiose. Como um crescendo de signos que se entrelaçam, nos pontos mais imprevisíveis, e compõem sempre a mensagem a ser lida. Força e Ternura. Foi este o binômio que nos moveu nos dias de Quito e que nos deve impelir para a frente, sempre. Nota da Redacção: Joana Belarmino de Souza é jornalista e professora de Comunicação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa - Brasil. É Mestre em Ciências Sociais por essa Universidade, desde 1997, e Doutora em Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. [Fim do artigo | ++NÓS POR CÁ Mensagem Da Comissão Executiva Um Ano De Actividades Da DN Da ACAPO Neste número de “Grande Angular”, a CE do GESTA-MP optou por dispensar a publicação da crónica com que habitualmente preenche esta rubrica, em benefício da publicação de uma entrevista que, a propósito da divulgação do Relatório de Actividades da ACAPO relativo a 2003, havíamos solicitado ao seu Presidente. Com esta opção, a CE do GESTA-MP facilitou enormemente os trabalhos de edição do presente número, ao permitir-nos incluir neste espaço a referida entrevista e evitando assim que o mesmo se viesse a alongar excessivamente. Grande Angular - Como aprecia o Relatório de Actividades da DN, referente a 2003? Fernando Matos - O Relatório espelha a inércia do executivo da ACAPO ao longo de 2003. Repare-se que, dos "grandes objectivos" supostamente perseguidos pela DN, nenhum deles obteve qualquer avanço e alguns até recuaram significativamente. G. A. - Pode concretizar? F. M. - Sim, concerteza. Não é necessário procurar muito: o prometido "Acordo de Gestão" com a tutela (que a Direcção diz praticamente vir a resolver as dificuldades financeiras da Instituição) marcou passo, como no próprio Relatório se reconhece; as alternativas ao sorteio, que no dizer da Direcção já foram várias, neste momento ou foram abandonadas ou estão bloqueadas; o problema das instalações em Lisboa, que, segundo a Direcção, estava quase resolvido com o prédio da Rua da Madalena (até foi pomposamente assinado, nas vésperas das últimas eleições, como convinha, um protocolo com vista à sua utilização), já só se resolverá (provavelmente com novo protocolo, agora nas vésperas das próximas eleições) com um terreno no Lumiar; o processo de criação da "Pensão de Cegueira", a que a Direcção sintomaticamente não faz qualquer referência no Relatório, foi arquivado pelo SNRIPD; a realização do II Congresso da ACAPO, continuamente prometida desde há cinco anos, foi abandonada; e a lista poderia continuar. G. A. - Crê que a apreciação que faz será partilhada por outros sectores dentro da ACAPO? F. M. - Creio que sim. Basta ver que esta Direcção é a primeira, em toda a história da ACAPO, a ver rejeitada pela Assembleia uma proposta de Orçamento, e que os Representantes eleitos nas listas apoiadas pelo GESTA-MP não constituem a maioria nesse órgão. Por outro lado, as críticas que temos formulado à política de financiamento têm sido largamente confirmadas pelo Conselho Fiscal, em todos os seus Pareceres. E, se ainda restassem dúvidas, seria suficiente ouvir os Associados e o descontentamento que manifestam. Alguns dos que inicialmente apoiaram esta Direcção têm, inclusivamente, feito críticas bem mais acérrimas do que as nossas. G. A. - Acha que a situação que descreveu poderá ter consequências no futuro? F. A. - Acho que sim. Não só no futuro, como já no presente. A imagem da Instituição está a degradar-se muito rapidamente: a "choraminguice" permanente como forma de obter financiamento não dignifica os cegos nem a Associação; a gaffe de aceitar os lugares atrás dos placards no estádio do Sporting deu até origem a piadas em programas de humor... E no estrangeiro, a imagem vai igualmente piorando de modo preocupante. G. A. - Existem factos objectivos que nos permitam tirar essa conclusão de que, também no estrangeiro, a imagem da ACAPO se está a degradar? F. M. - Infelizmente, existem muitos. A começar logo pela desastrosa actuação da ACAPO no que diz respeito à CDAC. A ACAPO detém a Secretaria-Geral da organização desde Dezembro de 2000, e desde então, apesar dos incansáveis esforços do Prof. Adilson Ventura (eleito Presidente na mesma altura), a CDAC encontra-se completamente paralisada por absoluta inércia da Secretaria-Geral. G. A. - Mas, no Relatório, a Direcção da ACAPO diz que, durante 2003, estabeleceu contactos com todos os países? F. M. - A Direcção da ACAPO poderá dizer o que quiser, sobretudo se não tiver intenções de respeitar a verdade. O Prof. Adilson deslocou-se a Lisboa, em Junho de 2003, para uma reunião com a ACAPO, efectuada a seu pedido. Desta reunião, nem a respectiva acta lhe foi enviada. Na sequência dessa mesma reunião, o Prof. Adilson solicitou à Secretaria-Geral que executasse 12 tarefas que considerava mais urgentes (fui eu próprio quem, a seu pedido, fez chegar aos Serviços da ACAPO o documento em que fazia tais solicitações); até hoje, de nenhuma delas lhe foi dado qualquer retorno. O Prof. Adilson Ventura não merece este tratamento; é, na actualidade, a par da Profª Dorina Nowill, o maior vulto da tiflologia de língua portuguesa. Também o não merece a UBC, que é uma organização prestigiadíssima, ainda o ano passado distinguida com a medalha Enrique Elissalde. Para além do mais, a cooperação com os PALOP e com Timor-Leste só pode ser verdadeiramente frutífera mediante uma conjugação de esforços Portugal-Brasil. E só o reforço do bloco lusófono, que uma actuação deste tipo implica, poderá conferir alguma relevância à voz de Portugal no contexto internacional. G. A. - Mas as relações com a ONCE parecem não estar mal? F. M. - A ONCE tem, como sempre fez, procurado ajudar. Nós mesmos, GESTA-MP, na cooperação que desenvolvemos com a Unidad Progresista, temos permanentemente insistido na importância de a ONCE continuar a apoiar a DN da ACAPO, qualquer que ela seja. Do nosso ponto de vista, esse apoio tem adquirido nos últimos anos ainda uma maior importância para a ACAPO, uma vez que a actual Direcção anda completamente à deriva desde o princípio, e tem demonstrado nunca ter feito a mínima ideia de qual o caminho a seguir. G. A. - Mas, agora regressando à política interna, a DN costuma dizer que não pode fazer mais por falta de dinheiro. Esta não é uma razão aceitável? F. M. - Sê-lo-ia realmente, se fosse verdadeira. Mas o Relatório de 2003 desmente flagrantemente essa versão. Em 2003, havia actividades previstas e com financiamento assegurado que não vieram a ser realizadas. Como o dinheiro que lhes estava destinado não pode ser utilizado para outros fins, terá agora de ser devolvido. Haverá sinal mais claro de incapacidade? Por outro lado, algumas iniciativas de grande relevância não implicam qualquer aumento de encargos. O plano de rastreio visual, que propusemos em 2002, é um exemplo disso. É uma iniciativa a desenvolver pelos serviços públicos, na qual a ACAPO surge como entidade incumbida de a acompanhar e avaliar. Planos semelhantes a este têm vindo a ser postos em prática em numerosos países com o apoio financeiro do Centro Carter, no âmbito do programa internacional "Visão 2020, Direito à Visão", cujo objectivo é eliminar a cegueira evitável como problema de saúde pública até 2020. A própria esposa do ex-Presidente dos Estados Unidos, Rosalynn Carter, se tem envolvido activamente nesses projectos. A DN da ACAPO não tem sabido aproveitar esta conjuntura favorável. Penso mesmo, muito sinceramente, que até desconhecerá estes factos. G. A. - Para concluir: algumas pessoas estão extremamente descrentes. Pensa que ainda há razões para crer no futuro da ACAPO? F. M. - Há sempre razões para crer no futuro se, no presente, se trabalha para fazer dele uma realidade melhor. No GESTA, temos vindo a trabalhar para isso e, felizmente, os Associados da ACAPO têm vindo a reconhecê-lo. Por esse motivo, confiamos que, a partir do próximo acto eleitoral, a ACAPO poderá iniciar o caminho que a conduzirá àquilo que os cegos, surdocegos e amblíopes portugueses esperam dela. GESTA-MP Prepara Jovens Quadros Teve lugar nos passados dias 15 e 16 de Maio, em Lisboa, a realização de mais uma Acção de Formação Associativa promovida pelo GESTA-MP, esta especificamente destinada a jovens quadros do movimento. Foram prelectores e dinamizadores das três sessões de trabalho Filipe Pereira Oliva, Fernando Abreu Matos e Elena Salaberria Sanzberro, dirigente da Unidad Progresista (UP) que, para o feito, se deslocou a Lisboa, no âmbito da cooperação institucional desenvolvida entre o GESTA-MP e o seu congénere espanhol. Parabéns! GESTA-MP Comemora 3º Aniversário No passado dia 8 de Maio, num conhecido restaurante de Lisboa, o GESTA-MP celebrou em festa o seu 3º aniversário. Com cerca de uma centena de pessoas presentes e receptor de dezenas de mensagens de organizações internacionais, dos partidos políticos do expectro parlamentar português e de pessoas a título individual que, não podendo estar presentes, não quiseram deixar de manifestar a sua solidariedade, o movimento mostrou todo o seu dinamismo e respira confiança. Nesta ocasião, a Comissão Executiva (CE) efectuou a apresentação do manifesto "Queremos Podemos", que o Grupo pretende venha a constituir o ponto de partida para uma plataforma de entendimento, o mais abrangente possível, sobre o futuro da ACAPO. “Grande Angular” que, tanto no momento como posteriormente, pôde auscultar várias pessoas sobre o documento apresentado, teve oportunidade de constatar o acolhimento favorável de que o mesmo tem vindo a ser objecto. Manifesto "Queremos Podemos" "Um Tempo à Reflexão e à Análise Um Espaço ao Diálogo e à Cooperação" Conforme se lê logo nas suas primeiras linhas, "o Manifesto 'QUEREMOS PODEMOS' pretende lançar as bases de uma plataforma de entendimento em torno do qual seja possível pensar e construir um futuro diferente, mais promissor, mais feliz e mais digno para todos os cegos, surdocegos e amblíopes portugueses". Apresentado pelo GESTA-MP em 8 de Maio passado, o documento constata as dificuldades por que passa a principal organização representativa dos deficientes visuais portugueses e, rejeitando a tarefa de apontar culpados, prefere reafirmar a confiança na possibilidade de mudança "sem demagogias e sem sectarismos, mas antes "com abnegação e espírito de bem servir, com rigor e com verdade". Daí, o "tempo à reflexão e à análise" e o "espaço ao diálogo e à cooperação" que o mesmo pretende consagrar. Dez Pontos-Chave O Manifesto "Queremos Podemos" consagra precisamente como primeira ideia-força a ABERTURA E ABRANGÊNCIA (ponto 1) como forma de reunir o contributo de todos com vista à melhoria da condição dos cegos, surdocegos e amblíopes portugueses. Proclama, de seguida, como modo indispensável de proceder à defesa dos interesses de todos os deficientes visuais do País, a INDEPENDÊNCIA perante quaisquer outros que não os interesses de tais indivíduos, decorrentes das respectivas necessidades derivadas da deficiência visual (ponto 2), e prossegue afirmando que esta deverá assentar numa REIVINDICAÇÃO DECIDIDA, CONSEQUENTE E RAZOÁVEL (ponto 3). Na linha de actuação de organizações internacionais, como as Nações Unidas e a União Mundial de Cegos, o documento coloca a defesa dos interesses dos cegos, surdocegos e amblíopes no plano da DEFESA DE DIREITOS HUMANOS, e não no da benemerência, da caridade ou da mera assistência (ponto 4) e faz da DIGNIFICAÇÃO de tais cidadãos, em todos os momentos e situações, um objectivo central a alcançar (ponto 5). O Manifesto define ainda a EFICÁCIA relativamente aos fins prosseguidos pela ACAPO como a ideia que deve presidir ao desenho da estrutura orgânica da instituição (ponto 6), o FINANCIAMENTO SUSTENTADO DE FINS E OBJECTIVOS como fundamento estratégico da sua política financeira (ponto 7) e a CONTRATUALIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (ponto 8) como actuação indispensável sempre que se trate de disponibilizar aos Associados serviços da esfera de responsabilidade de outras entidades. No tocante às relações internacionais, o documento defende o REFORÇO DA IDENTIDADE LUSÓFONA (ponto 9), sem prescindir de uma verdadeira cooperação com Espanha e com o Espaço Ibero-Americano, como via indispensável de afirmar a voz dos deficientes visuais portugueses no contexto internacional. A concluir, o Manifesto "Queremos Podemos" defende a adopção deliberada de uma ÉTICA DE SERVIÇO (ponto 10) como a única forma de intervenção compatível com o solene compromisso, que é obrigatório assumir, com a defesa, a promoção e a prática de dar voz a quem não tem voz. Um Convite em Nome do Futuro "Este é o conjunto de ideias sobre as quais queremos ver erguer-se uma ACAPO renovada", declarou o Presidente da CE do GESTA-MP, aquando da apresentação do documento. "Não mercadejamos princípios, mas dispomo-nos a negociar soluções; rejeitaremos conluios e manobrismos oportunistas, mas estamos prontos para uma cooperação empenhada, sincera e despida de sectarismos", acrescentou. No final, o Presidente da CE do GESTA-MP deixou um convite, que é simultaneamente um desafio ao envolvimento de todos: "A partir da divulgação deste Manifesto, todos os que pretenderem fazer do futuro dos deficientes visuais portugueses e da instituição que os representa um presente melhor e mais digno do que aquele que hoje vivemos, sabem com que poderão contar de nós, sabem onde e a quem dirigir-se, e sabem que têm sempre alguém à sua espera". [Fim do artigo | ++OLHAR PELA JANELA Rei Carlos, o primeiro e único José Duarte Ray foi um Rei, Rei como quem quer escrever Campeão, Melhor, Primeiro e Único. Ray Charles e a sua Música, Música do seu povo, o negro norte-americano, foram o mais importante acontecimento musical popular no século 20. Talvez mesmo mais importante que o papel dos Beatles embora, provavelmente, menos conhecido. Ray criou Música que só ele cantava e tocava, criou um estilo, uma Escola. Não deixou copiadores. Seria impossível. Só deixou admiradores milhões e milhões. Numa fusão de Música de igreja, de blues, de jazz, de improvisação, Ray inventou uma Música nova. A dele. E a de mais ninguém. Aos primeiros compassos todos conhecemos a voz de Ray, rouca e expressiva, dramática, musical. Ray tocou piano, orgão e saxofone alto, mas não foi como instrumentista que colocou seu nome na História da Música deste planeta, de todas as Músicas deste planeta. Foi como vocalista da sua Música para ouvir e dançar. Viveu entre 1930 e este 2004. Seu grande êxito começou no final dos anos 50 e desde então o sucesso das multidões foi permanente. Um dos músicos (pianista e cantor) que mais o influenciou foi o genial Nat 'King' Cole. A sua Música não era para ouvir com o corpo quieto! Tinha tanto balanço e swing, era tão verdadeira que conquistava sempre o corpo e alma de seus ouvintes ou espectadores. Tinha também uma alta intuição para o espectáculo e era inesquecível vê-lo rir enquanto cantava, ver seu corpo dançar mesmo quando sentado ao piano, vê-lo ouvir com prazer o trabalho de acompanhantes do belo grupo de mulatas cantoras que ficaram imortais - 'The Raelets'. Era um homem muito simpático, sempre risonho e com um alto sentido de humor. Suas históricas e primeiras gravações como 'Hit The Road Jack' ou 'I've Got a Woman' pertencem ao património cultural já não só negro norte-americano, mas, sem dúvida mundial. Minhas relações com ele foram sempre e apenas de um entre muitos e muitos espectadores. Nunca a ele consegui chegar. Li sua autobiografia - «Brother Ray» - que recomendo e lá soube que muito gostava de pilotar aviões! Na obra de Ray é indispensável conhecer a sua orquestra e seu respectivo e precioso trabalho, com notáveis arranjos e solistas formidáveis como Hank Crawford ou Blue Mitchell. Ray de seu verdadeiro nome era Ray Robinson mas cedo o trocou por Charles para não se confundir com o famoso negro campeão de boxe Sugar Ray Robinson. Rei do 'rhythm and blues' seu público foi e é de todas as raças e de todo este mundo. Privei, isso sim, com dois outros músicos também invisuais, estes de jazz. Um catalão o pianista Tete Montoliu outro negro norte-americano o soprador de tudo e mais alguma coisa (tocava vários instrumentos de sopro simultâneamente!) de seu nome Roland Kirk. Dois amigos que já cá também não estão. Nota da Redacção: José Duarte dispensa apresentações. Ainda assim, arriscamos a difícil tarefa de compilar aqui o essencial de uma vida inteira, ainda e sempre incompleta, ainda e sempre dedicada ao jazz e à música. José Duarte nasceu no Bairro Alto, próximo do Conservatório, e desde cedo foi construindo o caminho que lhe permitiu tornar-se na referência e autoridade nesta matéria que hoje é. Em 1958, estreia-se na Rádio Universidade com “O jazz, esse desconhecido”. Em 1966 surgem os famosos “Cinco minutos de jazz”, na Rádio Renascença, que os emitirá até 1975. Em 1984, o espaço ressurge, agora na Rádio Comercial, e desde 1993 que, se queremos ouvir “Cinco Minutos de Jazz”, só temos que ligar a RDP Antena 1. Mas nem só na rádio espelhou José Duarte a sua paixão pelo jazz. Tanto em jornais como em livros, conferências, na televisão ou até na Internet, José Duarte, pode dizer-se, tem sido um verdadeiro mensageiro sobretudo deste estilo musical, mas também de outras formas de expressão pela música que lhe estão associadas. Hoje, José Duarte é Professor Auxiliar Convidado para disciplinas Jazz de opção livre na Universidade de Aveiro, é conferencista desde 1998, membro da International Association for Jazz Education e da Jazz Journalists Association, tem sido júri de vários prémios na área musical, colaborou, em 2001, na segunda edição do “New Grove Dictionary of Jazz”, e foi recentemente distinguido com a Medalha de Mérito do Ministério da Cultura. José Duarte é ainda co-fundador e editor do Jazz Portug@l, na Internet desde 1997, em www.jazzportugal.net - site a que, desde já, aconselhamos uma visita. [Fim do artigo | ++BREVES Lei de Bases da Educação Aprovada no Parlamento A Assembleia da República aprovou, em 20 de Maio p.p., em votação global final, a futura Lei de Bases da Educação. No plenário, o novo diploma obteve apenas os votos favoráveis do PSD e do CDS-PP, à semelhança do que já havia acontecido na respectiva comissão parlamentar especializada, onde a maioria rejeitou todas as propostas apresentadas pelas restantes forças políticas. O diploma aguarda agora a indispensável apreciação por parte do Presidente da República que, no prazo de vinte dias contados da recepção do mesmo, deverá promulgá-lo ou exercer o seu direito de veto. Novo Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário: Crédito de Horas Cresce Mas Ainda Não Chega O Diário da República, I Série A (nº 132), de 05-06-2004, publica a Lei nº 20/2004, que consagra o "Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário". A grande novidade do novo diploma é o alargamento do crédito de horas já anteriormente previsto. A partir do próximo ano, a lei agora aprovada concede ao Presidente da Direcção de qualquer associação sem fins lucrativos um crédito de horas correspondente a meio dia de trabalho por mês quando a respectiva associação possui um máximo de 100 associados, a um dia nos casos de 100 a 500, a dois dias de 500 a 1000 e a três dias nos casos de mais de 1000 associados. Em vez do Presidente, o crédito poderá ser utilizado por qualquer outro membro da Direcção, devendo, em qualquer caso, as respectivas funções serem exercidas em regime de gratuitidade. Este novo quadro é obviamente melhor, mas como facilmente se constatará, está ainda longe de ser satisfatório. "Cem Anos de Tiflologia em Portugal": Uma História Para Fazer Numa organização da Câmara Municipal de Lisboa, teve lugar, nos dias 24 e 25 de Junho de 2004, na Biblioteca Municipal "Orlando Ribeiro", em Telheiras, o Congresso Nacional "100 Anos de Tiflologia em Portugal". Com esta iniciativa, pretendia o Departamento de Bibliotecas e Arquivos da C.M.L. proceder a um aprofundado levantamento e análise dos factores que têm condicionado a vida das pessoas cegas em Portugal, pelo que foram escolhidas sete amplas áreas que iam da cegueira ao associativismo tiflológico, passando pelas diversas vertentes da reabilitação, as quais originaram 28 comunicações de valor bastante desigual. Algumas dessas comunicações, sem um aprofundamento da insuficiente investigação então evidenciada, dificilmente permitirão, mesmo, elaborar a "grande e singular obra de referência na história da tiflologia portuguesa", a que a entidade organizadora, em boa hora, se propôs. Incompetência ou Manipulação? DN Abandona Pensão de Cegueira O Representante Pedro Ribeiro, ex-jurista do SNRIPD, deixou a DN da ACAPO em situação desesperada ao revelar, no decurso da 46ª Reunião da AR, a forma como a questão da criação de uma Pensão de Compensação da Cegueira foi conduzida pelo executivo da Associação. Com o SNRIPD, acerca deste assunto, "nunca se discutiram princípios; discutiram-se mais problemas de verbas e essas coisas todas", declarou, perante a surpresa geral. Pedro Ribeiro informou ainda que a DN defendia a atribuição de um subsídio de montante igual para todos, independentemente dos rendimentos, o que não foi aceite: "em termos de justiça social, é incompreensível uma pessoa de 5000 euros ter o mesmo apoio que uma pessoa de 500 euros", explicou. No final da sua intervenção, surgiu a revelação mais arrasadora e que deixou a DN perfeitamente desarmada: "o Secretariado fez uma proposta extremamente justa e correcta, e os senhores da ACAPO, pura e simplesmente, nunca responderam ao Secretariado. Portanto, se há qualquer responsabilidade aqui (e é isso que eu queria que me esclarecesse) do não avanço das negociações e de discutir o problema dos princípios e de discutir como é que esta coisa da pensão de compensação funcionava, foi devido à rejeição liminar da ACAPO daquilo que foi proposto numa reunião onde esteve o Dr. Vítor Calha e onde esteve o Dr. Sérgio Gomes da Silva". A DN, realmente, não o esclareceu (nem a ele nem a ninguém), e a convicção unânime de vários Representantes eleitos em diferentes listas, posteriormente ouvidos por Grande Angular, é a de que os factos indiciam que a DN tem vindo a usar a Pensão de Cegueira com objectivos meramente populistas e jamais esteve verdadeiramente determinada a enfrentar os obstáculos que dificultam a sua criação. O Prometido é Devido... ou Talvez Não! Era Uma Vez Um Congresso Depois de o ter prometido em ambos os seus Programas de Candidatura e em todos os Planos de Actividades que apresentou desde o ano 2000, a DN da ACAPO veio agora anunciar que, afinal, não vai realizar o II Congresso: "queremos agradecer a todos aqueles que participaram na proposta de regulamento para o Congresso, mas reconhecemos que devido ao trabalho que temos e a algumas dificuldades, nós (e por razões também financeiras) não vamos lançar o Congresso como nos comprometemos no nosso Plano e como nos comprometemos no nosso Programa Eleitoral", declarou o Presidente da DN em Coimbra, em 17 de Abril último, durante a 46ª Reunião da AR. Foi desta forma ligeira que se desfez de mais este compromisso a Direcção que se apresentou aos Associados da Instituição em 2000 com um programa eleitoral pomposamente designado "contrato-programa com os Associados", no qual afirmava: "Pretendemos apresentar uma proposta que consideramos inovadora, sem contudo prometer aquilo que não poderemos cumprir". "Porque Será?" No Relatório de Actividades referente a 2003, apresentado na 46ª Reunião da Assembleia de Representantes, em 17-04-2004, a DN da ACAPO comprometeu-se a disponibilizar aos interessados os relatórios relativos à participação da organização em vários eventos. Diversos Representantes eleitos nas listas apoiadas pelo GESTA-MP solicitaram não só os referidos relatórios, como outras informações, nos termos previstos pelo Regimento da Assembleia. À DN compete responder às solicitações deste tipo que lhe sejam dirigidas no prazo de trinta dias. Até ao fecho deste número de “Grande Angular” (30-06-2004), apesar de já terem decorrido dois meses e meio sobre a referida reunião, nenhum dos Representantes por nós contactado obteve qualquer resposta às questões que formulou. Um deles, relembrando o slogan exibido por Mário Jardel sempre que fazia um golo, desabafou: "Porque será?" Ainda Falta Qualquer Coisa CF Põe a Nú Incompetência de Quem Gere No seu nº 2, “Grande Angular” noticiou que a Conta de Gerência da ACAPO, relativa a 2003, apresentaria um lucro virtual do exercício, o qual se deveria, única e simplesmente, ao facto de verbas geradas pelo acordo atípico da Delegação Local de Braga, que se encontravam afectas à realização de iniciativas dirigidas aos associados durante o ano transacto, não terem chegado a ser gastas, por tais actividades não terem sido concretizadas. O Conselho Fiscal da Instituição veio recentemente confirmar esta informação, bem como adensar as preocupações manifestadas por vários Representantes eleitos nas listas apoiadas pelo GESTA-MP, ao escrever, no Parecer que emitiu, que esse resultado positivo se deve "não só ao acréscimo de receitas extraordinárias, mas também à não execução na totalidade dos acordos atípicos das delegações de Braga e Viana do Castelo, situação esta preocupante para a credibilidade da instituição, na medida em que poderá pôr em causa os actuais e novos acordos". A este propósito, um dos Representantes ouvidos por “Grande Angular”, comentou sugestivamente: "Primeiro, diziam-nos que não havia actividades porque não havia dinheiro; agora, dizem-nos que há dinheiro, mas não se concretizam as actividades". Vá Pelos Seus Dedos Páginas Amarelas em Braille R. S. A Páginas Amarelas, a PT Comunicações e a ACAPO iniciaram, em Maio, a publicação das Páginas Amarelas em Braille. Trata-se de um conjunto de listas telefónicas em Braille, disponíveis separadamente para as regiões Sul e Ilhas, Lisboa, Centro, Porto e Norte. Cada lista contém todos os números de telefone úteis em cada região, tais como serviços de emergência, aconselhamento ou apoio, e ainda muitos outros números telefónicos de interesse para quem vive em cada uma das regiões. O acordo tripartido que possibilitou a edição destas listas prevê que a Páginas Amarelas compile os dados, a PT Comunicações zele pela actualidade dos números constantes nas listas, cabendo à ACAPO a impressão e distribuição das Páginas Amarelas em Braille pela população deficiente visual e demais serviços que nelas possam estar interessados. UTAD Com Biblioteca Para Todos R. S. A UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - inaugurou, no passado dia 29 de Abril, um espaço na sua biblioteca central que permite a todos os cidadãos, qualquer que seja a sua deficiência, acederem a uma enorme variedade de informação. Na nova sala passarão a estar disponíveis tecnologias de acesso ao computador para pessoas com deficiência visual e motora, um folheador electrónico para tetraplégicos, digitalizadores de texto e de fala, conteúdos em formato digital de textos e livros falados, serviço remoto de impressão em Braille, bem como publicações especializadas nas áreas da deficiência, acessibilidade e tecnologias de reabilitação. O espaço inaugurado será ainda um pólo do projecto BiblioVoz, que almeja converter e disponibilizar 50 livros em formato digital Daisy (sistema que permite sincronizar o livro falado com o texto escrito). Este espaço, inaugurado durante a conferência “Design, comunicação e integração”, promovida pelo CERTIC - Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias da Informação e Comunicação - está ao dispor não só de docentes e alunos da Universidade, mas também de toda a comunidade envolvente. Novos Horizontes É Consigo A Dois R. S. O lendário programa “Novos Horizontes”, que todos os domingos de manhã, na RTP 2, divulgava o que de mais importante se ia passando no campo das várias deficiências, chegou ao fim da sua longa caminhada. O histórico programa, criado pelo Eng. Jaime Filipe, adaptou-se aos novos tempos e às novas realidades televisivas, dando lugar ao magazine “CONSIGO”, no actual segundo canal da RTP A2. Este magazine, de formato moderno e arrojado, que se pretende um espaço inovador e de visibilidade para divulgação de projectos de vida e de boas práticas, eventos e notícias relevantes na perspectiva da participação e cidadania das pessoas com deficiência. O magazine “CONSIGO” vai para o ar todos os domingos, na A2, ao início da tarde, e “Grande Angular” recomenda-o não só pelo interesse das temáticas nele abordadas, mas ainda pelo formato encontrado pelos produtores para a divulgação das mesmas. Brasil Uma Reeleição Significativa Portugal Deveria Aprender T. N. T. O Past-President da União Brasileira de Cegos (UBC), Prof. Adilson Ventura, obteve no passado mês de Junho a sua reeleição como Presidente do Conselho Nacional de Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência (CONADE), a que já presidia desde Março de 2002. O CONADE é o equivalente brasileiro do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (CNRIPD), existente em Portugal, mas com uma natureza bem mais ajustada à realidade actual e dispondo de poderes consideravelmente mais alargados. Neste sentido, bastará ter em conta que o CONADE possui uma composição paritária de representantes de instituições governamentais e da sociedade civil (respeitando, assim, ao invés do que acontece com o CNRIPD, as recomendações da ONU), escolhe livremente o seu Presidente (ao passo que o CNRIPD é obrigatoriamente presidido por um representante da tutela) e possui natureza deliberativa (e não meramente consultiva como o CNRIPD) em matéria de políticas de educação, saúde, trabalho, assistência social, transportes, cultura, turismo, desporto, lazer, urbanismo e outras relativas às pessoas com deficiência. Recorde-se que Adilson Ventura é um dos fundadores (Mar Del Plata, Argentina, 1985) da União Latino-Americana de Cegos (ULAC), à qual presidiu entre 1988 e 1992, e da UBC, que presidiu até Novembro de 2003, sendo igualmente um dos fundadores da Comissão para o Desenvolvimento das Associações de Cegos dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CDAC), de que é o actual Presidente. 3º SENABRAILLE Seminário Nacional de Bibliotecas Braille R.S. A cidade de Goiânia, no estado de Goiás, vai acolher, de 23 a 26 de Novembro o 3º Senabraille – Seminário Nacional de Bibliotecas Braille. O evento, organizado pela Associação Goiana de Cultura – AGEPEL -, decorre este ano sob o tema “Bibliotecas Braille e sociedade da informação”. Para além de se falar das bibliotecas Braille numa época dominada pela sociedade da informação, o seminário vai ainda debruçar-se sobre biblioteconomia, redes de informação e acessibilidade digital para deficientes visuais, bibliotecas digitais e outros temas conexos. O evento conta ainda com o apoio da UFG – Universidade Federal de Goiás. Equador ULAC Elege Novo Presidente T. N. T. O cubano José Monteagudo é o novo Presidente da União Latino-Americana de Cegos (ULAC), desde a realização da VI Assembleia Geral Ordinária da organização, que teve lugar nos dias 22 e 23 de Abril de 2004, em Quito (Equador). Monteagudo, que já havia exercido as funções interinamente, de Janeiro a Abril de 2000, na sequência da morte inesperada do então Presidente (o histórico Enrique Elissalde), substitui agora no cargo a venezuelana Gloria Peniza, eleita faz agora quatro anos, durante a V Assembleia Geral, celebrada na Cidade do Panamá. No Equador, os cegos latino-americanos elegeram ainda Tesoureiro o brasileiro Marco Antônio Bertôglio, ao mesmo tempo que reelegiam Secretário-Geral o argentino Mariano Godachevich. Espanha FOAL Opera Importantes Mudanças Estratégicas T. N. T. A Fundação ONCE para a América Latina (FOAL) aprovou em 29 de Junho último, em Madrid, uma importante reforma estatutária que possibilita o aumento do número dos seus patronos. O objectivo perseguido é, segundo Grande Angular conseguiu apurar, ampliar a colaboração com grandes empresas espanholas, com vista a melhorar o nível de recursos dos projectos desenvolvidos pela organização. A Fundação, que apoia numerosas organizações latino-americanas na concretização de múltiplos projectos na área da deficiência visual, fomentará igualmente, a partir de agora, uma maior corresponsabilização dessas organizações nos referidos projectos, procurando que as mesmas assumam mais o papel de parceiro e menos o de simples receptor das ajudas disponibilizadas. Estados Unidos Internet Ao Serviço Da Leitura T. N. T. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos pôs recentemente em marcha um projecto piloto com o objectivo de disponibilizar a utilizadores cegos ou deficientes físicos, através da Internet, o acesso a diversas publicações do Programa Nacional de Revistas Faladas, até 2008. Este programa produz actualmente um total de 44 revistas em registo magnético, entre elas a mundialmente conhecida National Geographic. O projecto agora em desenvolvimento prevê a conversão de aproximadamente 30.000 títulos existentes naquela biblioteca, registados em gravações analógicas, e livros gravados em versão digital. Novas Regras Europeias Braille nos Medicamentos R. S. A União Europeia publicou uma nova directiva que recomenda a rotulagem dos medicamentos em Braille e a disponibilização dos respectivos folhetos informativos em suporte acessível a pessoas com deficiência visual. A directiva em questão é a 2004/27/EC, que no seu artigo 56A recomenda que o nome do medicamento esteja presente em Braille na respectiva caixa, atribuindo aos fabricantes dos fármacos a incumbência de disponibilizarem os respectivos folhetos informativos em formatos acessíveis a pessoas com deficiência da visão. A este respeito, a União Europeia de Cegos recomenda aos seus associados que pressionem os respectivos Governos nacionais no sentido de proporcionarem rotulagem nos medicamentos em caracteres ampliados, e a criar um serviço acessível através da Internet ou do telefone, onde seja possível aos pacientes com deficiência visual solicitar informação adequada sobre os fármacos em suporte acessível. Devem também assegurarem-se de que os governos consultam, neste processo legislativo, as organizações de deficientes sobre esta matéria. Finlândia Cegos Guiados Por Telemóvel R. S. Para não se perder na Finlândia, bastará a qualquer cego dispor de um telemóvel da terceira geração, com acesso à Internet. Um novo projecto, intitulado Nopa, está a ser desenvolvido naquele país do Norte da Europa, possibilitando aos cegos saber exactamente onde estão e qual a melhor forma de chegar onde querem ir. Bastará falar para o telemóvel, dizendo-lhe onde se quer ir. O aparelho, equipado com um sistema de posicionamento global por satélite (GPS), consultará a Internet e saberá então exactamente onde o seu utilizador está, dizendo-lhe em voz sintética qual o melhor caminho para atingir o local onde pretende ir, incluindo os detalhes dos transportes a apanhar e o local onde os poderá tomar. O sistema estará ainda ligado a bases de dados municipais, para que seja possível saber a todo o momento se no caminho o utilizador irá encontrar algumas obras, e qual o melhor caminho para as evitar. De momento, o projecto está ainda em fase experimental, contando com a parceria da Federação Finlandesa de Deficientes Visuais, não sendo por isso ainda possível saber se o sistema chegará ou não a ser comercializado. [Fim do artigo | ++AGENDA Dia Mundial da Bengala Branca 15 de Outubro 2004 3º SeNaBraille – Seminário Nacional de Bibliotecas Braille De 23 a 26 de Novembro, 2004 Local: Goiânia, Goiás, Brasil Dia Mundial da Pessoa com Deficiência 3 de Dezembro, 2004 Fórum Mundial de Mulheres Cegas 3 e 4 de Dezembro de 2004 Local: Cidade do Cabo ? África do Sul VI Assembleia Geral da União Mundial de Cegos – UMC De 6 a 10 de Dezembro , 2004 Local: Cidade do Cabo ? África do Sul [Fim do artigo | Fim da Edição 3 de Grande Angular |