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Diz-nos claramente o código deontológico do jornalista, que perante os leitores de qualquer publicação, têm os seus responsáveis uma série de deveres. Diz-nos ainda o normativo legal em vigor que, enquanto cidadãos, estamos também sujeitos a outros tantos deveres. Será deles que falaremos neste breve editorial.
Em primeiro lugar, sentimos o dever de esclarecer os nossos leitores quanto
à demora da publicação deste número de Grande Angular
. Com
efeito, foi nossa ideia prestar um serviço que consideramos de utilidade
pública, fornecendo aos nossos leitores os projectos das diversas candidaturas
políticas que se apresentaram a sufrágio nas eleições para o Parlamento
Europeu. Gorada essa expectativa, por manifesto desinteresse de algumas forças
políticas em colocar ao nosso dispor, atempadamente, as propostas relevantes
das suas candidaturas no que aos cidadãos deficientes diz respeito, a nossa
redacção não desarmou, e é assim que surge a matéria presente no
Destaque
desta edição, fruto maioritariamente do nosso trabalho
investigativo. Honra seja feita no entanto, a duas forças políticas, que no
espaço de um dia a uma semana, facultaram à nossa redacção o respectivo
contributo. A elas, o nosso agradecimento.
Assim, no Destaque
deste número de Grande Angular
,
ficam espelhados os compromissos dos políticos eleitos pelas quatro forças
partidárias ou coligações para representação dos portugueses no Parlamento
Europeu, no que à população deficiente diz respeito. É aqui que entra mais
um dos nossos deveres, enquanto cidadãos - o de zelar pelo seu cumprimento por
parte dos nossos legítimos representantes na Europa.
Sentimos ainda, enquanto responsáveis por esta publicação, ser necessário
justificar perante os nossos leitores a ligeira alteração de estrutura que
fizemos, e que durará apenas neste número. Com efeito, Grande
Angular
apresenta-se desta vez sem convidados VIP na nossa habitual
Tribuna
. Tal alteração ficará no entanto plenamente justificada
se atendermos ao elevado número de discursos, oficiais e oficiosos, a que
assistimos nos últimos tempos, e também à época eminentemente festiva que
atravessamos à data desta publicação. Entendemos assim que desta vez caberá
a cada um dos nossos leitores subir à nossa tribuna, e quiçá até tecer
algumas considerações ou reflexões, que poderemos inclusive vir a publicar em
próximos números de Grande Angular
, conquanto no-las remetam.
Já que falamos dos nossos deveres, estendamos a abrangência deste editorial às nossas obrigações enquanto cidadãos. Ainda recentemente fomos convidados a exercer mais uma, que legalmente existe como direito mas eticamente se configura como dever - participar activamente na vida política da comunidade a que estamos ligados, votando nas eleições. Dessa forma exprimimos a nossa opinião, e responsabilizamos os que têm por missão a nossa representação. É este um direito inalienável, e um dever do cidadão íntegro e interessado na vida da sua comunidade. Não esqueçamos portanto que só votando poderemos exigir responsabilidade de quem nos representa ou dirige, e só através do voto poderemos manifestar a nossa concordância ou desacordo com as propostas dos que a sufrágio se submetem. Em última análise, só desta forma poderemos realmente alterar ou corroborar uma dada linha ideológica ou de projecto. Se o não fizermos, de nada nos servirá reclamar à posteriori, já que nada fizemos quando nos foi solicitado. Estes princípios são igualmente válidos tanto para um país, como para uma região, ou para um grupo mais restrito de que façamos parte. Não menosprezemos pois a nossa opinião, preparando assim o caminho para o futuro, de que tanto ambicionamos fazer parte.
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Última actualização efectuada em 12 Julho 2004
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